
Criação
Bueno... Era meados de 2004, um dia ameno de outono na pacata rua Augusto Melecchi, em Porto Alegre.
No princípio era um papo informal sobre música, globalização, regionalismo, televisão pública, internet, comunicação, história em quadrinhos, Dave McKean e Neil Gaiman, a fruteira do Zé, Klint, Escher, cerveja, rock’n’roll, futurismo, desenho, lobos e borboletas, computadores, publicidade, lendas... Aí o Indio San (codinome do Everson) pintou com uma história maluca sobre formigas e a lenda do Negrinho do Pastoreio.
Nascia a novela gráfica.
O projeto é livremente inspirado na lenda, mais conhecida pela magnífica versão do escritor regionalista João Simões Lopes Neto que a recriou, no final do século XIX, a partir da cultural oral do sul do país.
Partimos de Simões para buscar uma perspectiva mais universal e mesclamos elementos da literatura, das artes visuais, da música e dos quadrinhos.
Foi e está sendo um belo caminho de aprendizagem. Passeamos por vários movimentos estéticos e artísticos: futurismo, surrealismo, art-noveau, arte contemporânea, assim como referências técnicas em grafite, stop-motion, teatro de bonecos, quadrinhos, animação, literatura de terror e fantasia. De Brothers Quay a Tim Burton. De Stephen King a Italo Calvino. De HR Giger a Bill Sienkiewicz. De Gaiman a Jules Verne. Em meio à pesquisa, encontramos uma conexão importante que muito enriqueceu a trama de nossa história: a religiosidade afro-brasileira.
Em tempos violentos, conturbados e cheios de incertezas, as fábulas e as lendas são necessárias e urgentes. A aventura é uma procura constante.
Acenda uma vela. Este é Um Outro Pastoreio.
Rodrigo dMart, em janeiro de 2008.